quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Cenário da medicina nuclear na avaliação da doença cardiovascular é apresentado em Congresso

Acesso ao  exame de cintilografia do miocárdio – responsável por identificar agravos como o infarto do miocárdio - pode ter  espera de um ano ou mais no SUS


A lentidão no acesso à realização da cintilografia do miocárdio em pacientes acompanhados pela saúde pública pode impactar na conduta terapêutica de pacientes com doenças cardíacas e levá-los a serem submetidos a procedimentos invasivos desnecessariamente. A análise é do presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), Claudio Tinoco. "Às vezes demora um ano para que um paciente do SUS consiga realizar uma cintilografia”, afirma Mesquita.
Empregada para avaliar a saúde do sistema cardiovascular, a cintilografia do miocárdio é o exame mais utilizado pela medicina nuclear no Brasil, sendo responsável pela redução da mortalidade decorrente de doenças cardiovasculares, consideradas hoje a causa de maior índice de óbito no mundo. Mesquita explica que por meio da cintilografia é possível detectar a falta de sangue (isquemia) em determinadas regiões do coração. A tecnologia contribui para diagnosticar precocemente complicações como infarto do miocárdio, ataques cardíacos e angina, por exemplo.  
Segundo o presidente da Sociedade, as condutas referentes a doenças cardiovasculares e agravos como infarto do miocárdio, dependem da estratificação do risco para tomada de decisão quanto à necessidade de condutas como cateterismo e revascularização. “Se conseguimos detectar precocemente esta alteração e encaminhar o paciente para o tratamento adequado – tanto medicamentoso tanto  cirúrgico – como desentupimento com cateter ou ponte de safena, tiramos o paciente da linha de risco de morte”, esclarece Mesquita. 
Dados levantados pela Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) apontam que em 2014 foram realizadas 444.359 cintilografias no SUS. Destas, 243.680 foram cintilografias miocárdicas, o que corresponde a 55% do total de procedimentos. De todos os serviços que realizam exames cintilográficos, apenas 6,3% são públicos. 
O presidente e da Sociedade esclarece que pacientes que fazem cintilografia são melhor conduzidos e realizam menos exames, evitando assim procedimentos desnecessários. “O exame de cintilografia é altamente custo-efetivo, e ajuda a selecionar aqueles pacientes de maior risco, o que os conduz a uma rápida intervenção responsável por salvar a vida”. 
O cenário da medicina nuclear na cardiologia – com ênfase no acesso moroso ao exame de cintilografia do miocárdio - estará em discussão no XXIX Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear, que também será presidido por Mesquita. O encontro é organizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), e acontece no Rio de Janeiro, entre os dias 23 a 25 e outubro. 
Estudo avalia métodos investigativos da doença arterial coronária em pacientes do SUS
Com o objetivo de avaliar as condutas terapêuticas em pacientes com doença arterial coronária (DAC) da rede pública de saúde pesquisadores brasileiros analisaram os procedimentos empregados no diagnóstico e tratamento invasivo em casos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a DAC é uma das principais  causas de mortalidade no mundo. A doença ocorre quando os vasos sanguíneos que levam oxigênio para o coração se estreitam, o que pode levá-los a obstrução total. 
Com base em um levantamento no DataSUS, prontuários eletrônicos e guias de autorização foram avaliados os itinerários de pacientes dos municípios de Curitiba (Paraná), em São Paulo (SP) e no Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor-FMUSP), no período de 2008 a 2010. Foram analisados quase 60 mil pacientes do Incor-FMUSP, mais de 65 mil procedimentos da região metropolitana de Curitiba, e mais de 450 mil procedimentos da região metropolitana de São Paulo 
Denominado “Itinerário de investigação do paciente coronariano do SUS em Curitiba, São Paulo e Incor – Estudo IMPACT”, o artigo de autoria do médico baseado na tese de pós-doutorado do pesquisador do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor-FMUSP) e diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), Juliano Cerci, foi publicado recentemente no periódico Arq Bras Cardiol Arq Bras Cardiol. 2014 Sep;103(3):192-200. Epub 2014 Jul 29.)
Segundo Cerci, a investigação da DAC e seu tratamento dependem da estratificação do risco para tomada de decisão quanto à necessidade de cateterismo e revascularização. “Verificamos nessa extensa avaliação que na maior parte dos pacientes revascularizados, não foi realizada a documentação da carga de isquemia dentro do SUS. Assim os testes funcionais não invasivos, como teste de esforço e cintilografia do miocárdio são subutilizados dentro do SUS. Utilizar esses métodos de maneira apropriada pode melhorar muito a seleção dos pacientes com maior potencial de se beneficiar dos procedimentos invasivos e dos tratamentos invasivos, que representam o maior custo empenhado no SUS”, esclarece Cerci. 
Desta forma se verifica que existem diversas oportunidades de melhorar o sistema de forma integral, desde o acesso dos pacientes aos exames requeridos, passando pela qualidade do serviço prestado, os mecanismos de avaliação da conduta médica empregada e sua conformidade com as diretrizes de sociedades de classe.

Arq Bras Cardiol. 2014 Jul 29;0. pii: S0066-782X2014005040107. [Epub ahead of print]

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